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sexta-feira, 23 de março de 2012

Emicida é considerado o Picasso do Rap.


Emicida é o Picasso do rap. Aaaaaah? Exagero? Sim, mas a comparação é pertinente. Presta atenção: “Guernica”, a obra mais famosa do Picasso, de 1937, é o retrato cubista das atrocidades fascistas da Guerra Civil espanhola. Emicida pinta o seu “Guernica”, transformando a indignação em música inspirada por fatos recentes como a truculenta desocupação de Pinheirinho e a “limpeza” da cracolândia, entre outros. O alvo é a violência do Estado. E a cobertura da mídia. “Dedo na ferida”, o novo single/vídeo, é mais que um tapa na cara. É uma bordoada. Uma voadora. Um golpe certeiro que leva a nocaute. E assim como “Guernica”, também em preto e branco. Para quem sentia falta do rap engajado ou da música de protesto no cancioneiro popular, taí a resposta.“Dedo na Ferida” impressiona pelo caráter urgente. Capta o sentimento de milhares de pessoas que inundaram as redes sociais protestando. É urgente também no formato. As imagens que acompanham “Dedo na ferida” são tão impactantes quanto seu recado. Em preto e branco, o vídeo, dirigido por Nicolas Prado, ganha ares épicos, uma espécie de Apocalypse NowImagens dos conflitos retiradas da internet, outras cedidas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Jose dos Campos (que acompanhou de dentro a desocupação do Pinheirinho), completadas por registros feitos por Emicida e DJ Nyack no bairro paulista do Cachoeira.
É, você não viu isso nos telejornais.
Emicida já havia cantado a bola: a Revolução é silenciosa.  E, como prenunciou Gil Scott-Heron, não será televisionada.

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