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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Entrevista com o escritor Vulgo Elemento




O Sarau das Ostras comemora um ano de atividade e para abrilhantar essa conquista traz a Praia Gande o escritor ,rapper e assistente social ,Daniel Péricles Arruda conhecido como Vulgo Elemento com o lançamento do seu livro "Constelação de idéias".Eu tive a oportunidade de conversar com ele e veja aqui o resultado dessa entrevista ou digamos apenas desse bate papo.


1° NP - Conta pra gente como você se envolveu com a literatura, você sempre gostou de ler e escrever?
Vulgo Elemento – O envolvimento com a literatura me acompanha desde a adolescência. Quando comecei a escrever não tinha a pretensão de escrever para “os outros”, mas para eu mesmo. Escrevia num diário os fatos do meu cotidiano na escola, na família, nas ruas, etc.
Era de praxe escrever antes de dormir. Logo fui percebendo que os meus textos não eram textos comuns, e sim, textos repletos de questionamentos, indagações, metáforas, rimas: daí nasceu a poesia. Concomitantemente, iniciei a compor as letras de RAP.
Por meio da leitura e da escrita fui me formando como sujeito pensante, questionador, propositivo e atuante. Encontrei na literatura uma forma de lidar com o racismo, com a violência policial e com o amor.
Ao longo da minha caminhada acumulei várias obras as quais publicarei gradativamente. Resolvi iniciar a publicação pelo livro Constelação de Ideias por considerá-lo mais pertinente para esse momento. Considerando as várias temáticas baseadas na vida comum, nas relações sociais, no cotidiano social, a saber: amor, periferia, violência, esperança, questão racial, sofrimento, angústia, saudade. Isto é, uma constelação de fato.

2° NP - Como você vê o crescimento da literatura marginal, e se as grandes mídias dão a esse gênero literário o devido valor?
Vulgo Elemento – A Literatura Marginal vem conquistando espaços, principalmente, pela quantidade e qualidade dos saraus e publicações.
Percebo certa resistência das grandes mídias em relação à Literatura Marginal. Creio que será um processo... Vejamos o RAP, por exemplo. Há anos atrás não era comum pensar que o RAP iria crescer tanto e que iria conseguir espaços e representações que temos hoje.
O caminho da Literatura Marginal se fará no processo e na luta constante, pois temos produções riquíssimas, sensíveis e de cunho transformador.
Mas não é e/ou será tão lindo assim...
Acredito que todo periférico pensante é uma ameaça de poder prático-ideológico. Pois os nossos versos vêm de uma realidade que muitos ignoram. Versos e palavras que não se separam do real, da verdade...

3° NP - Você tem algum trabalho social em torno da cultura marginal, cito a literatura?
Vulgo Elemento – Atualmente, faço mestrado em Serviço Social na PUC/SP como Bolsista do Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford, onde realizo uma pesquisa sobre o RAP e a Literatura Marginal no trabalho com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação, envolvendo algumas categorias nesse estudo, como violência e invisibilidade...
Já realizei vários projetos por meio do RAP e da Literatura Marginal quando trabalhava como Assistente Social no Centro de Atendimento ao Adolescente (CEAD), em Belo Horizonte/MG. Essa instituição executa a medida socioeducativa de internação de adolescentes do sexo masculino.
Foi uma experiência muito importante, por considerar os valores e as identificações dos adolescentes com o RAP e com a poesia. E, também, por ser um facilitador no processo de reflexão em relação ao ato infracional.
Em Contagem/MG, realizei o Projeto Reinvenção em parceria com o Programa de Reintegração Social do Egresso do Sistema Prisional de Contagem na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria.  Esse projeto foi desenvolvido com um grupo de pré-egressos por meio de oficinas de poesia. Outra experiência riquíssima. Vejam o Link: http://www.institutoelo.org.br/site/noticias/leitura/288

4° NP - Hoje temos diversos escritores dentro da literatura marginal, vários nomes saídos das periferias para o mundo das letras, analisando todo esse contexto e conhecendo diversos trabalhos incríveis, você acha que está perto de termos um escritor marginal periférico com uma cadeira na "Academia  Brasileira de Letras"?

Vulgo Elemento – Olha, eu não sei ao certo a distância disso acontecer, mas, certamente é merecido essa conquista. Temos vários nomes de destaque na Literatura Marginal, por exemplo, Ferréz, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo, Jéssica Balbino, entre outros que escrevem com a alma.Vemos cada nome na ABL (Academia Brasileira de Letras) que, com todo respeito, ficamos inconformados. Hoje, na ABL, temos um seguimento de escritores. Escritores que representam uma classe social que não é a nossa.Temos capacidade de ocupar esse lugar, sim. Mas há outras questões em volta... Muitos ocupam uma “Cadeira” ABL, mas só ficam nela, entendeu?! Ou seja, não tem reconhecimento do povo. Ocupam a “Cadeira”, mas não ocupam o campo do saber e do conhecimento literário de fato.Vejamos, como que os outros seguimentos da literatura enxergam a Literatura Marginal? Como Marginal?Não. Fazemos versos... Fazemos histórias... Transformamos vidas...Bom, fico por aqui...  Salve Nego Panda! Salve Sarau das Ostras... Saúde e Paz a todos vocês...Até o dia 11/09.  Obrigado! Satisfação em trocar essa ideia com vocês.
VULGO ELEMENTO
conheçam o trabalho de Vulgo Elemento em:



Cobertura do lançamento do livro Constelação de Ideias no Festival de Cultura Independente de Contagem/MG: http://www.youtube.com/watch?v=k_Bud_fC7J8&feature=share





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