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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entrevista com o rapper e produtor Cuco Voz de assalto



1° Você é integrante do grupo  Voz de assalto, qual a diferença do Cuco no disco “7 dias para o fim do mundo” pro  Cuco do Voz de assalto ?
Bom mano, é a diferença entre uma experiencia solitaria e uma experiencia coletiva! Juntos  a gente bagunça, da risada, conversa sobre assuntos comuns ao grupo e etc. No meu trabalho solo eu sou bem introspectivo, gosto de descrever as coisas com muitos detalhes pra tentar transportar o ouvinte ao mundo em que eu me encontrava quando escrevi o som. E os assuntos sao abordados de uma forma mais pessoal, pois dentro do VDA eu represento uma parte do grupo, no meu trampo solo eu mostro mais a minha essência.
2°  Cuco você é um dos pioneiros na área de produção da baixada? Você estudou música, ou fez algum curso para trabalhar com produção?
Fiz um curso de ÁUDIO BÁSICO em 1999, que ensinava entre outras coisas mais tecnicas, as funções dos aparelhos que existem dentro de um estudio. Dai quando peguei pra mexer nos programas (e todos tentam imitar aparelhos reais) eu ja sabia como fazer pra chegar no resultado que queria. Já em teoria musical eu sou autodidata, mas bem preguiçoso, diga-se de passagem (risos), pois não toco nenhum instrumento bem. não sou instrumentista sou produtor, só sei o suficiente de teoria pra montar os arranjos, mas arranho no teclado e no baixo.
3°  Ao que você atríbui o crescimento dos estúdios de produção na baixada e como você enxerga isso?
Os estudios de produção cresceram no mundo todo né meu, devido ao computador ter se tornado o centro dos estudios. Isso fez com que aparelhos de qualidade profissional passassem a ser  fabricados e vendidos a preços mais acessíveis visando um novo público. E aí atendeu uma demanda que ja existia mas foi amplificada, pois qualquer um baixa softwares e começa a "fuçar", alguns gostam da ideia e se aprofundam, outros so brincam mesmo. Mas com bastante cuidado, alguns aparelhos e um bom know-how da pra se fazer discos ótimos dentro de casa. Ja mixagem e masterização são processos que aconselho ser feito por pessoas com experiência, pois podem comprometer um bom trabalho de produção.
4° A baixada é conhecida por ter uma forte influência do gangsta rap,com letras agressivas e pesadas , você acha que isso prejudicou o crescimento do rap na região?
Não! O que talvez tenha prejudicado o crescimento do rap daqui é o fato de que existem muitas bancas cada uma com um estilo e isso não deu unidade ao movimento como um todo. Apesar de ser um diferencial, prejudica na hora de correr em coletivo. Outra coisa que ainda acontece é que os organizadores de evento nunca tiveram a intenção de formar uma cena com os grupos locais (como aconteceu com o funk), e quem quer dar uma força, não faz da melhor forma. Mas acho que agora estamos num momento bom pro rap no geral, so ta faltando enxergarem o potencial que alguns grupos daqui tem!
5° Você teve alguma influência na família  que o levou pro rap , ou algum amigo que já curtia e com quantos anos você decidiu que viraria cantor , e o que te levou a virar produtor ?
Em casa quando era pivete eu ouvia minhas irmas ouvirem rock brasileiro (Paralamas, legiao, titãs, entre outros). Antes de curtir rap eu cheguei a ter uma fita do New Kids On The Block, mas a musica que eu mais gostava era uma que tinha um rap no começo. Em 1991, um amigo meu me gravou uma fita cassete com algumas musicas do primeiro disco dos Racionais, Holocausto Urbano. Dai em diante foi dedicação total, desde os 10, 11 anos de idade eu sempre procurava novas musicas pra ouvir, e comecei a escrever por hobby. Aos 15 anos, em 1996 montei o meu primeiro grupo, o CGS, com o Scooby (que tambem foi do VDA) e um outro amigo do SENAI. Quando a gente foi tentar produzir em estudio nossas musicas, eu vi que tinha que fazer aquilo, por que eu perdia o maior tempo pra explicar o que eu queria. E esse produtor que demorava pra entender foi quem cedeu o primeiro programa que tive contato, o CAKEWALK 3.1, que depois virou o SONAR que uso até hoje.
6° Você é um artista independente que possui sua própria produtora , fale um pouco dela , do selo , dos artista que fazem parte da banca e um pouco sobre os projetos para 2012 ?
Meu estudio é o Estudio Bom Bando, que atende boa parte das gravações de hip hop e funk daqui da baixada. O nosso selo é o Dinastia Records que hoje conta com VDA (eu, Ice Dee e Linko), TH e tambem Hostil no staff. Em 2011 a gente se estruturou adquirindo mais equipamentos pra que  a gente possa gravar os discos e mixtapes e tambem fazer os clipes pra divulgar isso tudo. Eu acabei de lançar o meu album, o VDA tambem esta com a mixtape "Momento Bom"pronta e vamos trabalhar nela ainda nesse ano, o TH esta com a mixtape "Coletividade" tambem engatilhada e o Hostil tambem esta com um projeto em andamento que tambem promete. Pra 2012, planejamos muitos videos desses projetos todos.
7° Atualmente acompanhamos diversas manifestações ,seja contra o homofobismo ,marcha da liberação da maconha em universidade , mas a corrupção está aí, e não vemos ninguém fazendo uma mobilização contra isso ,ao que vc atribui esse comportamento da população ?
Bom mano, isso é bem complexo, por que as pessoas acabam focando a energia numa coisa que talvez não seja o principal. Observe que essas manifestações que voce mencionou são lutas bem específicas, igualmente legítimas, mas são situações que atingem em cheio certos grupos como GLBT ou usuários de maconha. A corrupção atinge todo mundo. Só que um pensador de esquerda não protesta ao lado de um empresário de direita, mesmo tendo essa "ferida" em comum. Eu ja venho observando este comportamento há algum tempo dentro do hip hop. Pessoas que deixam de se juntar por um bem comum, por causa das ideias que divergem. A galera acaba levando pro pessoal, não separa as coisas. Não é por que voce não concorda com determinada atitude de uma pessoa, que voce nao vai concordar em nenhuma outra. Um outro ponto é que as pessoas se mobilizam apenas quando algo fere diretamente seu estilo de vida. O problema é que a corrupção tambem fere diretamente, só que ninguém percebe.
8°Você está envolvido com algum projeto social ?
Fechamos uma parceria entre a Dinastia Records e a ONG Arco Iris (praiamarfm.org.br), mas ainda nao tem nenhum projeto em andamento.
9° Estamos entrando em ano de eleição,muitas promessas vão aparecer ,muita gente querendo se aproveitar da cultura hip hop ,como você enxerga isso e o que tem a dizer a respeito da política ?
Promessa é a moeda de troca dos candidatos, a nossa é o voto. Política é a arte da negociação. Se quiserem se aproveitar da cultura terão que dar algo em troca. Sou a favor dos diálogos. A Baixada Santista ta defasadíssima nesse ponto. Nenhuma cidade conseguiu botar em pratica o "Dia do Hip Hop", o que me leva a acreditar que os movimentos municipais nao tem diálogo com o poder público, ou tem um muito precário. Tem cidades que essa lei ja existe no papel, mas nada foi feito ainda. Somos polo turistico, aquele encontro que a Nação Hip Hop fez, mostrou o que pode ser feito, independente de qual cidade sediaria o festival. Nós é que devemos articular pra criar um festival anual em época de temporada. Tenho certeza de que não faltaria patrocinadores.
10° O rap hoje perdeu a essência política e é mais pop , essa foi uma matéria que saiu recentemente a respeito do rap, você concorda com isso ?Como você vê o rap de hoje e o rap feito à alguns anos atrás?
Concordo plenamente, e é mais um sinal de como as pessoas se posicionam no mundo. Como eu ja disse as lutas são mais pessoais e menos coletivas. Por isso esse boom de artistas que rimam sobre seus sonhos e sentimentos. Nos anos 90 se falava em união e revolução. Hoje as rimas exclamam, que a saída esta dentro de você. E é por que existe uma descrença generalizada em instituições, as pessoas acreditam em pessoas, tambem por isso se vê menos grupos e mais artistas solo. Enquanto um rapper, um profissional da música, acho que melhorou e muito. Finalmente se abriu um mercado pra gente poder trabalhar. O problema é que tudo que da certo e vira tendencia começa a ser fabricado em série. Mas acredito no potencial dessa nova safra de artistas (e só agora da pra chamar rapper brasileiro assim), e creio tambem que o proprio meio se abriu mais para novos sons e novos pontos de vista.
11° Deixe um Salve pros manos e pras minas ?
Então galera, dêem uma conferida no disco "7 Dias para o fim do mundo" no meu blog musicasdocuco.blogspot.com e votem na enquete "qual música deveria ter videoclipe". Você pode ouvir online no link "7 DIAS" ou baixar o disco. Comentarios, criticas, elogios e sugestões serão sempre muito bem vindos. Quero mesmo saber o que estão achando desse disco, que é muito especial pra mim. Aguardem muitas novidades sobre VDA, Ice Dee, TH e Hostil. Muito em breve entrará no ar o portal da Dinastia Records. Ah e encontrem-me nas redes sociais:

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